Quinta-feira
15 de Novembro de 2018 - 
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Alto-comissário da ONU defende que política não interfira na dignidade e direitos de refugiados

Em pronunciamento na Assembleia Geral da ONU, o alto-comissário para Refugiados, Filippo Grandi, pediu apoio de todos os países a um novo pacto global sobre refúgio. Para o dirigente, o documento deve priorizar a dignidade tanto das vítimas de deslocamento forçado quanto das comunidades que as recebem. Grandi expressou preocupação com o crescente uso político da pauta dos refugiados e migrantes. “Precisamos encontrar uma maneira de nos afastarmos da política e chamarmos a atenção para o que importa: a dignidade, os direitos e a humanidade compartilhada”, disse o alto-comissário em evento onde apresentou uma proposta do pacto aos Estados-membros da ONU. Encontro ocorreu em outubro (31). Segundo a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), liderada por Grandi, crises em todos os continentes forçaram mais de 68,5 milhões de pessoas a abandonarem seus lares. O contingente inclui mais de 25,4 milhões de refugiados — pessoas que tiveram de deixar também os seus países. “Os refugiados são uma preocupação internacional e uma responsabilidade compartilhada”, acrescentou o dirigente. “Com o pacto global, nós teremos pela primeira vez um modelo prático, viável e um conjunto de ferramentas que traduz esse princípio em ação.” Grandi reconheceu que o multilateralismo tem enfrentado adversidades e precisa ser revigorado. Há dois anos, a Assembleia Geral da ONU pediu ao ACNUR que consultasse os países e outras partes interessadas para elaborar um novo acordo internacional sobre refúgio. “Se dermos oportunidades aos refugiados, eles também podem ser catalisadores da humanidade, da solidariedade e de um senso de propósito compartilhado na sociedade. Em outras palavras, de tudo o que nos une e nos fortalece diante dos desafios globais”, argumentou o alto-comissário. O chefe do ACNUR explicou que conflitos armados estão se combinando a outros fatores, como as mudanças climáticas, a pobreza e a desigualdade — o que tem gerado novos fluxos de deslocamento. Grandi também observou que, embora haja muitos exemplos preocupantes de refugiados e solicitantes de asilo que são não são devidamente acolhidos, existem inúmeras comunidades locais oferecendo proteção e apoio. Mesmo com recursos limitados, esses anfitriões são movidos pela compaixão e por valores humanos fundamentais. Em muitos desses lugares, uma nova resposta à chegada dos refugiados está fincando raízes. “Décadas mantendo os refugiados enclausurados em campos ou à margem da sociedade estão dando lugar a uma abordagem fundamentalmente diferente. A preocupação passa a ser a inclusão dos refugiados nos sistemas nacionais, nas sociedades e nas economias de seus países anfitriões, pelo tempo que for necessário, permitindo que eles contribuam para as suas novas comunidades e garantam o próprio futuro”, disse o alto-comissário. O dirigente chamou aos Estados-membros a fortalecer a importância e a implementação do pacto, que deve ser validado pela Assembleia Geral até o final do ano. Lembrando a coragem e a determinação de muitas pessoas que ele conheceu durante o ano passado, no Quênia, na Síria, no Irã e na Colômbia, entre outros países, Grandi defendeu o novo marco internacional como “um caminho melhor, mais justo e mais igualitário” para os refugiados. O documento protegerá as crises de deslocamento “dos caprichos da política”, além de oferecer uma resposta humanitária adaptada aos desafios do nosso mundo, afirmou o alto-comissário. “Caberá a todos nós fazermos isso acontecer, para garantir que essa promessa se torne realidade para os milhões de refugiados e de deslocados no mundo que estão contando conosco”, concluiu Grandi.

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